De que ou que
Flávia Neves
Professora de Português
De que necessito, de que preciso, de que estou certo, de que tenho a impressão, de que estou isento e de que estou desconfiado são alguns exemplos de verbos, substantivos e adjetivos feitos com regência da preposição de.
Embora seja comum a omissão da preposição de, sendo já essa omissão aceita pelos falantes da língua, a preposição de deverá estar presente nessas palavras, segundo as regras da regência verbal e nominal, introduzindo um complemento preposicionado.
Há, contudo, divergência entre os gramáticos e estudiosos da língua. Alguns autores defendem que a preposição deverá ser utilizada sempre que se introduz um complemento indireto. Outros afirmam que a sua obrigatoriedade só existe quando ocorrem em simultâneo um complemento direto e um indireto. Outros ainda afirmam que a omissão da preposição já se encontra consagrada pelo uso, sendo igualmente correto e aceitável a sua omissão.
Exemplos de verbos com regência da preposição de:
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Precisar: Meu irmão me dará a ajuda de que eu preciso.
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Necessitar: Não consigo fazer o repouso de que necessito.
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Gostar: Você sabe do que eu gostaria? De que você me deixasse em paz!
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Lembrar: Você não vai acreditar na história de que eu me fui lembrar.
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Esquecer: Foi essa a informação de que você se esqueceu de fornecer?
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Informar: Fui informado de que os acontecimentos não traziam qualquer situação de risco.
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Avisar: Os alunos foram avisados de que os professores estavam em greve.
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Abdicar: Os bens de que eu abdiquei serão entregues a meus filhos.
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Desdenhar: A religião de que durante tantos anos eu desdenhei é agora minha ajuda nas horas difíceis.
Exemplos de substantivos com regência da preposição de:
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Certeza: Tenho a certeza de que estacionei aqui meu carro.
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Impressão: Nós temos a impressão de que você nos está enganando.
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Medo: Meus pais têm medo de que seja necessária nova operação à perna do meu irmão.
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Compreensão: Finalmente tive a compreensão de que tudo é incerto.
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Urgência: Tenho urgência de que isso seja resolvido.
Exemplos de adjetivos com regência da preposição de:
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Certo: Os professores estão certos de que estudar assim tanto é contraproducente.
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Desconfiado: Estou desconfiado de que essa história não é verdadeira.
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Acusado: As infâmias de que fui acusado são ultrajantes!
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Carente: Você sabe do que estou carente? De sua presença…
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Isento: Estas são as taxas de que estou isento.
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Merecedor: São estas as regalias de que vocês são merecedores!
Atenção!
Existem vários verbos, substantivos e adjetivos que não pedem a preposição de, sendo usado unicamente o pronome que.
Exemplos:
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Pedir: Meu irmão me dará a ajuda que eu pedi.
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Querer: Você sabe o que eu quero? Que você me deixe em paz!
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Ouvir: Ouvi que os acontecimentos não trazem qualquer situação de risco.
Professora de português, revisora e lexicógrafa nascida no Rio de Janeiro e licenciada pela Escola Superior de Educação do Porto, em Portugal (2005). Atua nas áreas da Didática e da Pedagogia.
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